10 novembro 2005

Viagens...

"O que mais deixei para trás, em cada viagem que fiz, foram os amigos que não voltei a ver. Amigos verdadeiros, instantâneos, instintivos, amigos do peito, para toda a vida. cá dentro, sou um português macambúzio, fechado sobre si mesmo, frequentemente de mal com Portugal e com os portugueses. Lá fora, sobretudo quando viajo sozinho, sou um homem novo, sem pais, sem destino, sem passado nem futuro: apenas o tempo que passo. E assim, porque sou verdadeiramente livre e desconhecido, acontece-me frequentemente tornar-me íntimo amigo de pessoas que acabei de conhecer há meia dúzia de horas. Tudo é genuíno e generoso nesses encontros e, quanto maiores são as diferenças, mais evidente se torna o que é essencial nas relações entre as pessoas. Não esperamos nada uns dos outros, apenas o privilégio de viajar juntos, beber uma cerveja juntos, ficar à conversa por uma noite adiante.
Disse uma vez, uma dessas constrangentes despedidas, um amigo sarahui:"Os que não morrem, encontram-se." Mas aprendi que não era verdade, infelizmente. quando muito, poderia talvez acreditar que os que se encontram nunca mais morrem na nossa memória. Mesmo que apareçam tão somente assim, esporadicamente, do fundo de uma gaveta, onde vive, arquivada, a luz dos dias felizes."
Miguel Sousa Tavares - SUL Viagens

5 comentários:

tony disse...

Bonito

Gary Freedman disse...

Your blog certainly left me satisfied and smiling.

Nessa disse...

bem li os teus ultimos posts e afectaram-me de certa forma...como tu há poucos

Paula Raposo disse...

É verdade...os que não morrem, encontram-se. O encontro está aí à nossa espera, à espera dos que não morrem...porque nós não morremos. Nunca.

Fee disse...

Coincidência! Adoro esse livro e essa é uma das partes que gosto +:)
Adoro o teu blog!bj*