06 fevereiro 2006

Euforia...

Não consegui esconder a felicidade da noticia… Agora o convite era obrigatório… tinha de ser feito… eu sabia que acabavam por aceitar, sentia que gostavam de mim… apressei-me a procurar o telefone… Marquei o numero… do outro lado, ouço uma voz simpática com sotaque brasileiro…
Eu não tinha nada, absolutamente nada, para lhes oferecer, além da amizade e da minha felicidade naquele instante… bebemos vinho e petiscamos para festejar, conversámos muito, o sotaque fez-se sentir horas... eram aquelas as vozes que me transmitiam a calma que eu necessitava… foi um momento de euforia, que hoje consigo arquivar nas minhas estantes…

05 fevereiro 2006

Fantasias...


Escondo de mim,
De ti,
De todos,
Na tua presença…

Na ausência,
Confesso,
O amor,
A ternura,
A dependência…
A fantasia,
Sem a sensação,
Da experiência,
E da verdade…

Imagino sem sentir,
O que nunca aconteceu…

04 fevereiro 2006

Palavras Silênciosas...


Entre ditos e contos,
Resiste a verdade,
A razão,
Os pensamentos,
Tantas vezes,
Reais,
Tantas vezes,
Imaginários,
Escondidos,
Diante,
Das estantes da memória,
Das palavras silenciosas,
Dos rostos ocultos…

29 janeiro 2006

Nunca Encontrado...


Feito e desfeito,
O sonho,
Depois de refeito,
Vivido,
E perdido,
Mantido,
Ou nunca conseguido,
Cuida,
Ou serviu,
Para cuidar,
Um amor,
Próximo,
Que chega,
Sem nunca chegar,
Porque o amor,
Chega sempre,
Nunca só,
Sempre,
Acompanhado,
Com a loucura,
E o tempo,
Criados,
Ou inventados,
Para amar,
O desconhecido,
O achado,
Nunca encontrado…

22 janeiro 2006

Vestígios...


Vestígios de dor,
Revestida na arma,
Que o rosto ostenta,
Que o corpo carrega,

Para esta plateia,
Para quem represento,
Com quem vivo,
E morro…

Para esta plateia,
Imperturbada…
Assistindo serenamente,
À evasão…

Do prazer da escrita,
Da confissão em cada sinal,
Que na composição,
Revela sobre mim,
Historias,
Que me acompanham,
Que me definem…

11 janeiro 2006

Muriel - Ruy Belo

"...Eu chegava primeiro e tinha de esperar-te
e antes de chegares já lá estavas
naquele preciso sítio combinado
onde sempre chegavas sempre tarde
ainda que antes mesmo de chegares lá estivesses
se ausente mais presente pela expectativa
por isso mais te via do que ao ter-te à minha frente
Mas sabia e sei que um dia não virás
que até duvidarei se tu estiveste onde estiveste
ou até se exististe ou se eu mesmo existi
pois na dúvida tenho a única certeza
Terá mesmo existido o sítio onde estivemos?..."

09 janeiro 2006

Regresso...


No regresso… a este lugar, agora sem a tua companhia, mas com a coragem conquistada no tempo, de olhar e recordar sem medo, o medo marcado pela tua partida… Recordo todos os caminhos que pisámos de mãos dadas, abraçados aos nossos sonhos…

Redescubro a janela, precisamente aquela, no café da praça, onde um dia qualquer, no passado, entramos e juntos a ela, comentávamos e observávamos os movimentos das pessoas, que completavam com vida aquele lugar, tão bonito e tão habitado... mas naquele instante, apenas nosso, onde bebíamos, para refrescar os nossos corpos, do calor natural que a estação fazia sentir.

03 janeiro 2006

O Silêncio do Amor....


No espaço vazio,
Desprovido da razão,
Termina o silêncio…

Abandonados os corpos,
Cedidos às manifestações,
À expressão dos afectos…

Desprendida a arma do rosto,
Confessam-se,
Declarando o amor…

26 dezembro 2005

Estrela...


Olhando para o céu,
Reencontro-te,
És a estrela maior…

Olhando para o céu,
Encontro o rumo,
A importância e o significado,
Do nada,
O inicio e a consciência,
De quase tudo…

Olhando para o céu,
Exijo a despedida,
De uma viagem,
Sem anuncio…

Olhando para o céu,
Grito com dor,
A tua partida,
A minha saudade,
A falta da despedida…

Olhando para o céu,
Conforto-me,
Na tranquilidade,
Na essência
Do Amor intenso,

Estendes a mão,
Deixas-me chorar,
E serenamente,
Dizes,
Amo-te…

Para ti P. Feliz Natal…

23 dezembro 2005

O Amor


Reencontro o amor…
nas vontades extemporâneas,
no delírio permanente,
na ausência dos princípios…

Disperso nas aventuras,
na desordem dos sentimentos,
nos desejos,
reencontro o amor…

O amor,
perdido no tempo,
nas desilusões,
na mágoa da dor…

Perdido nas aventuras,
na desordem dos sentimentos,
nos desejos,
reencontro o amor…

18 dezembro 2005

Movimentos...

Indiferente aos movimentos apressados das pessoas que regressavam a casa, também elas, indiferentes ao meu momento, ao meu sentimento… aguardei a tua reacção… Admiraste o meu olhar, naquele instante…
Recordo-o vezes sem conta… o dia do nosso passeio… carregado de coragem mas com a voz cintilante e um olhar denunciador disse-te, “gosto muito… de ti”…

16 dezembro 2005

Jardim...

Neste jardim contei-te tantas histórias…
Revelei-te segredos com segurança…
Neste jardim começou …
Tudo...
Quase, tudo…
Nada… Acabou.

06 dezembro 2005

Dia de S. Martinho…

Sinto os pés secos… da areia húmida que pisávamos, enquanto corríamos de mãos dadas, carregando o sorriso e o olhar de uma crença dividida…
Um fragmento da memória… apenas mais uma historia…
Um amor, ilusões e dor, convertidos agora para o passado…

05 dezembro 2005

Fragmentos da memória...

Refugiado no meu quarto, próximo da janela que o ilumina e estabelece a fronteira entre o real e o ilusório, espreito o mundo lá fora…
Navego, entre os fragmentos da memória… recordados num espaço, onde o silêncio é interrompido pelo som da musica, onde a realidade cede o lugar ao universo da imaginação instantânea...

30 novembro 2005

Muriel - Ruy Belo

Às vezes se te lembras procurava-te
retinha-te esgotava-te e se te não perdia
era só por haver-te já perdido ao encontrar-te
Nada no fundo tinha que dizer-te
e para ver-te verdadeiramente
e na tua visão me comprazer
indispensável era evitar ter-te
Era tudo tão simples quando te esperava
tão disponível como então eu estava
Mas hoje há os papéis há as voltas dar
há gente à minha volta há a gravata
Misturei muitas coisas com a tua imagem
Tu és a mesma mas nem imaginas
como mudou aquele que te esperava
Tu sabes como era se soubesses como é
Numa vida tão curta mudei tanto
que é com certo espanto que no espelho da manhã
distraído diviso a cara que me resta
depois de tudo quanto o tempo me levou
Eu tinha uma cidade tinha o nome de madrid
havia as ruas as pessoas o anonimato
os bares os cinemas os museus
um dia vi-te e desde então madrid
se porventura tem ainda para mim sentido
é ser solidão que te rodeia a ti
Mas o preço que pago por te ter
é ter-te apenas quanto poder ver-te
e ao ver-te saber que vou deixar de ver-te
Sou muito pobre tenho só por mim
no meio destas ruas e do pão e dos jornais
este sol de Janeiro e alguns amigos mais
Mesmo agora te vejo e mesmo ao ver-te não te vejo
pois sei que dentro em pouco deixarei de ver-te
Eu aprendi a ver a minha infância
vim a saber mais tarde a importância desse verbo para os gregos
e penso que se bach hoje nascesse
em vez de ter composto aquele prelúdio e fuga em ré maior
que esta mesma tarde num concerto ouvi
teria concebido aqueles sweet hunters
que esta noite vi no cinema rosales
Vejo-te agora vi-te ontem e anteontem
E penso que se nunca a bem dizer te vejo
se fosse além de ver-te sem remédio te perdia
Mas eu dizia que te via aqui e acolá
e quando te não via dependia
do momento marcado para ver-te
Eu chegava primeiro e tinha de esperar-te
e antes de chegares já lá estavas
naquele preciso sítio combinado
onde sempre chegavas sempre tarde
ainda que antes mesmo de chegares lá estivesses
se ausente mais presente pela expectativa
por isso mais te via do que ao ter-te à minha frente
Mas sabia e sei que um dia não virás
que até duvidarei se tu estiveste onde estiveste
ou até se exististe ou se eu mesmo existi
pois na dúvida tenho a única certeza
Terá mesmo existido o sítio onde estivemos?
Aquela hora certa aquele lugar?
À força de o pensar penso que não
Na melhor das hipóteses estou longe
qualquer de nós terá talvez morrido
No fundo quem nos visse àquela hora
à saída do metro de serrano
sensivelmente em frente daquele bar
poderia pensar que éramos reais
pontos materiais de referência
como as árvores ou os candeeiros
Talvez pensasse que naqueles encontro
sem que talvez no fundo procurássemos
o encontro profundo com nós mesmos
haveria entre nós um verdadeiro encontro
como o que apenas temos nos encontros
que vemos entre os outros onde só afinal somos felizes
Isso era por exemplo o que me acontecia
quando há anos nas manhãs de roma
entre os pinheiros ainda indecisos
do meu perdido parque de villa borghese
eu via essa mulher e esse homem
que naqueles encontros pontuais
Decerto não seriam tão felizes como neles eu
pois a felicidade para nós possível
é sempre a que sonhamos que há nos outros
Até que certo dia não sei bem
Ou não passei por lá ou eles não foram
nunca mais foram nunca mais passei por lá
Passamos como tudo sem remédio passa
e um dia decerto mesmo duvidamos
dia não tão distante como nós pensamos
se estivemos ali se madrid existiu
Se portanto chegares tu primeiro porventura
alguma vez daqui a alguns anosjunto de califórnia vinte e um
que não te admires se olhares e me não vires
Estarei longe talvez tenha envelhecido
Terei até talvez mesmo morrido
Não te deixes ficar sequer à minha espera
não telefones não marques o número
ele terá mudado a casa será outra
Nada penses ou faças vai-te embora
tu serás nessa altura jovem como agora
tu serás sempre a mesma fresca jovem pura
que alaga de luz todos os olhos
que exibe o sossego dos antigos templos
e que resiste ao tempo como a pedra
que vê passar os dias um por um
que contempla a sucessão de escuridão e luz
e assiste ao assalto pelo sol
daquele poder que pertencia à lua
que transfigura em luxo o próprio lixo
que tão de leve vive que nem dão por ela
as parcas implacáveis para os outros
que embora tudo mude nunca muda
ou se mudar que se não lembre de morrer
ou que enfim morra mas que não me desiluda
Dizia que ao chegar se olhares e não me vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido
Ruy Belo

29 novembro 2005

O Tempo só falta no fim…

Recordo-a com saudade… Foi a nossa conversa, a última conversa, não a esqueci, nunca a esquecerei... Uma conversa simples, sem importância absolutamente nenhuma.
Para ti P.

20 novembro 2005

(In)Confidências…

A combinação era quase perfeita, o chocolate quente, o cheiro a canela que se fazia sentir da entrada até ao interior, o esplendor da decoração, onde o verde e o vermelho eram as cores predominantes, num contraste com as madeiras velhas das mesas e dos armários, o azevinho que sugeria a proximidade da época natalícia, o calor que se fazia sentir, naquele lugar tão pequeno, mas aconchegado, fazendo esquecer o frio e a chuva que caía para lá da janela, que desvendava um jardim, onde imaginávamos a vida completa em comum e num regresso, para recordar exactamente, aquele momento... O momento que estávamos a viver, o nosso momento...

Momento...

Ainda com a incerteza daquilo que nos iria acontecer, consegui naquele ritmo apressado, um momento de lucidez e olhar para ti… Já não havia mais tempo, o ritmo da despedida tinha de ser acelerado, a nostalgia ocupava agora a nossa alma, os nossos corpos fraquejavam com o frio que se fazia sentir… Era provavelmente o último encontro, talvez o último olhar, admiti pela primeira vez sinceridade no teu olhar, sempre confuso, impreciso, naquele dia, estava diferente, era profundo, definido, as lágrimas caíam-te com espontaneidade e com a sinceridade que sempre esteve ausente, não permitia a dúvida que habitualmente me ocupava. Foi o momento da nossa despedida…

10 novembro 2005

Viagens...

"O que mais deixei para trás, em cada viagem que fiz, foram os amigos que não voltei a ver. Amigos verdadeiros, instantâneos, instintivos, amigos do peito, para toda a vida. cá dentro, sou um português macambúzio, fechado sobre si mesmo, frequentemente de mal com Portugal e com os portugueses. Lá fora, sobretudo quando viajo sozinho, sou um homem novo, sem pais, sem destino, sem passado nem futuro: apenas o tempo que passo. E assim, porque sou verdadeiramente livre e desconhecido, acontece-me frequentemente tornar-me íntimo amigo de pessoas que acabei de conhecer há meia dúzia de horas. Tudo é genuíno e generoso nesses encontros e, quanto maiores são as diferenças, mais evidente se torna o que é essencial nas relações entre as pessoas. Não esperamos nada uns dos outros, apenas o privilégio de viajar juntos, beber uma cerveja juntos, ficar à conversa por uma noite adiante.
Disse uma vez, uma dessas constrangentes despedidas, um amigo sarahui:"Os que não morrem, encontram-se." Mas aprendi que não era verdade, infelizmente. quando muito, poderia talvez acreditar que os que se encontram nunca mais morrem na nossa memória. Mesmo que apareçam tão somente assim, esporadicamente, do fundo de uma gaveta, onde vive, arquivada, a luz dos dias felizes."
Miguel Sousa Tavares - SUL Viagens

09 novembro 2005

Amor...

Tambem os génios têm falhas... Tu és o meu génio amor... Admiro-te não só pela beleza... mas essêncialmente pela tua inteligência...